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PREFÁCIO
Quando no início de 1979, aproveitando os primeiros momentos após a revogação do AI-5, o jornalista Fernando Portela começou a levantar o véu que encobria a já destruída guerrilha do Araguaia, com sete reportagens no vespertino Jornal da Tarde de São Paulo(13 a 20 de janeiro), ele, premonitoriamente, advertiu:
“A guerrilha, até onde posso avaliar, está correndo o risco de se transformar em lenda. E o risco será cada vez maior, enquanto o governo insistir em não dar a sua versão, mantendo um silêncio que já perdeu o sentido, quatro anos depois de a guerrilha haver sido derrotada pelas Forças Armadas”.
O silêncio foi mantido pela crença ingênua, nos resultados da Anistia concedida e a lenda transformou-se em um mito perverso que, até hoje, ganha gordos espaços e manchetes na mídia dominada pela esquerda e apadrinhada pelos interesses no lucro da venda de espaços nos jornais e na televisão.
O livro do coronel Aluisio Madruga de Moura e Souza é um capítulo do esforço ingente de muitos dos que estavam lá, para destruir as falácias com que a esquerda tente encobrir o rotundo fracasso de suas tentativas de comunizar o Brasil, das quais a guerrilha do Araguaia é um dos mais lamentáveis e mais flagrantes exemplos.
Filho de um militar, resolveu o autor seguir a carreira de seu pai, ao contrário de muitos que, filhos, netos e bisnetos de militares, parecem nunca ter superado o trauma de suas primeiras fraldas e mamadeiras terem sido pagas pelo suado”cobre de pret” de um fardado. E fez-se um militar de escol, honrado e competente.
Cadete em um tempo em que a “ alma mater” geradora das novas turmas de oficiais do Exército – A Academia Militar das Agulhas Negras – viu-se no caminho da “marcha da insensatez” trilhada no início dos anos 60 e envolvida, fundamente, nas agonias e agruras do contra-golpe cívico-militar de 31 de março de 1964, o jovem Aluisio presenciou o drama vivido por seus chefes quando se vêem diante da necessidade imperiosa de romper o sagrado compromisso com a ordem legal para salvar a Pátria em perigo.
Cedo viu-se atraído e envolvido pelas difíceis tarefas que cabem a um “homem de informações”. Hoje, rendidos ao revanchismo semântico que nos impôs esse americanismo, diríamos, ambiguamente, “homem de inteligência”, o que é duplamente verdadeiro, no caso do autor, o que nem sempre acontece. E é, precisamente, essa dupla condição que lhe confere autoridade para dar o depoimento que redundou neste livro.
Em linguagem simples e direta, nos faz recordar – e aos jejunos vai ensinar – as raízes e o caminhar históricos do Movimento Comunista Brasileiro, sempre atrelado às suas matrizes alienígenas e alienantes. Percorre as últimas quatro décadas da história política do nosso país – às vezes com necessárias ondulações cronológicas – para mostrar, de forma resumida e ágil, os entrechoques entre os que defendiam a lei e os que pretendiam derrubar a ordem legal.
Cita fontes e transcreve o que outros escreveram, para mostrar – entre tantas coisas – como nos meandros de uma tramitação legislativa se construiu uma arma eficaz para alimentar o revanchismo que pretende transformar “bandidos” em “mocinhos” e jogar os que tiveram o duro dever de levantar do chão a luva do desafio comunista lançada à face da Nação, na rua da amargura do desprezo da sociedade, a serviço da qual deram os melhores anos de suas carreiras e, alguns a própria vida.
O livro do coronel Madruga é trabalho destinado à juventude brasileira, civil e militar. Aquela para neutralizar a peçonha que uma parte dos que hoje dominam a cátedra está inoculando nas mentes jovens sobre o conhecimento de nosso passado. Aos outros, para relembrar que a profissão militar continua sendo um misto constante e contraditório do que Alfred de Vigny já mostrava em seu livro sobre as servidões e as grandezas da vida militar.
Curitiba, 25 de agosto de 2002
Gen. Raymundo Maximiliano Negrão Torres
ISBN: 85-902943-1-5
TÍTULO:
MOVIMENTO COMUNISTA BRASILEIRO: GUERRILHA DO ARAGUAIA -
REVANCHISMO: A GRANDE VERDADE
AUTOR:
SOUZA, ALUISIO MADRUGA DE MOURA E
EDITORA:
ALUISIO MADRUGA DE MOURA E SOUZA
PÁGINAS: 246
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